Por onde andei enquanto eu me procurava

Há tanto tempo! Quanto tempo, Doce! Dei um tempo! Não voltei,  estou de passagem. Tenho visitado outros lugares dentro e fora. Mais fora. Explico. O blog foi criado num momento amargo da vida, num momento de introspecção, de muitas perguntas e poucas respostas. Por isso o nome Doce, numa tentativa de agradar o paladar da alma. Mas, com o tempo, fui percebendo que o Doce estava me levando para zonas não muito confortáveis da melancolia. Então a medida que a vida foi se tornando mais colorida, fui abandonando isso aqui. Era viciada em leituras, em autores. Na melancolia ou alegria alheia. Demorei um tempo para perceber que isso me fazia sofrer. Gosto de escrever, porém não quero escrever mais no tom de Lispector ou Rubem Alves. Tenho outras ideias, mas sou tímida o suficiente para não publicá-las. Tenho LER o que dificulta meu relacionamento com o mundo virtual.
Dos meu textos, gosto mais do Meu, que ainda hoje reflete minha alma. Ainda não temos data, mas temos um monte de brita, areia e uma casa com nossa cara no papel, ainda. Temos ouro na mão direita. Temos sonhos.
 Em época de Instagram, hoje prefiro ver a ler. Facebook não me pega mais. Continuo com meu celular dos tempos do onça na tentativa de resistir a tecnologia que nos rouba tempo. Virei professora de colégio e instrutora de musculação. Sou duas vezes funcionária pública e amo o conforto que isso me dá.
Viajei. Fora. New York, Orlando. Fui também ali, em São Lourenço e de lá fui parar. Aparecida pagar promessa. Fui pra Bahia levar a chuva de Minas. Fui na deliciosa Monte Verde que troquei por qualquer destino que pudesse ser. Para lá estou voltando. Fui na capital matar a saudade do vizinho Diamond Mall. E, aqui dentro, viajei para outros mundos. Escolhi esse que se chama deixa estar.
Quero casar ao som de Jeneci, com buquê de flores coloridas com um broche de Nossa Senhora do Rosário.
Paro por aqui, sem o compromisso que esse seja um bom final para esse texto.

Raquel Ribeiro 

DOCE

Há tempos não escrevia por aqui. Sinto saudades, mas a minha bursite tem me afastado do computador. Mas um dia eu volto. Um dia eu volto de verdade. Doce saudade do DOCE...

MEU



Os relógios não correspondem ao que já sinto por você. 

Talvez a explicação para tal fato, esteja nas aulas de fisiologia, que eu faltei na faculdade, e venho aprendendo agora, na prática. Quando me aproximo de você, estímulos são modificados desencadeando corridas taquicardíacas. Deve ser esse o motivo da alteração da percepção do tempo quando estamos juntos. É certo que o tempo é relativo. São 30 dias para o calendário. Mas,ao invés de contarmos os dias, poderíamos contar quantas vezes a gente já se beijou?! (Impossível, eu sei!). Nesse tempo ou nesses incontáveis beijos, cresce comigo uma vontade imensurável de me perder nos ponteiros ... Com você. Sem contar às horas. Ficar e nunca mais ir embora. Deixar de existir no ontem e ser. Ser pra sempre sua. Ser pra sempre nós. 

Você me faz feliz. Me faz feliz principalmente quando sorri pra mim. Me aprova. O que desperta aqui dentro, uma vontade louca de dançarmos juntos a mesma música (E eu poderia dançar The Beatles um milhão de vezes, com meu corpo colado ao seu, só pra sentir mais de perto o seu cheiro).

Me perco no tempo. Me encontro em você. Faço projeções do presente para doces futuros. Ao seu lado. Compartilhando sonhos. Encontrando as respostas que o tempo não sabe dar quando o assunto é AMOR.

Raquel Ribeiro

A SOMA DOS TALENTOS




'Se a nota dissesse: 'Não é uma nota que faz uma música'.
...não haveria sinfonia. 

Se a palavra dissesse: 'Não é uma palavra que pode fazer uma página'.
...não haveria livro. 

Se a pedra dissesse: 'Não é uma pedra que pode montar uma parede'. 
...não haveria casa. 

Se a gota dissesse: 'Não é uma gota que pode fazer um rio'.
...não haveria oceano. 

Se o grão de trigo dissesse: 'Não é um grão de trigo que pode semear um campo'.
...não haveria colheita.

Se o homem dissesse: 'Não é um gesto de amor que pode salvar a humanidade', jamais haveria justiça e paz, dignidade e felicidade na terra dos homens. 

Como a sinfonia precisa de cada nota.

Como o livro precisa de cada palavra. 

Como o oceano precisa de cada gota de água.

Como a casa precisa de cada pedra. 

Como a colheita precisa de cada grão de trigo.

A humanidade inteira precisa de AMOR...'





Pe. Marcelo Rossi

O TEMPO QUE NÃO CABIA NO TEMPO


Queria saber sobre as coisas que não passam. Queria saber porque nem tudo acompanhava o tic-tac do relógio. E, ainda, porque éramos todos tão apegados aos números que, supostamente, definiam o tempo. Era só uma menina que queria saber mais. Saber mais sobre o mundo.  Não entendia porque o ontem tinha cara de ano passado. Não entendia o porquê do anteontem ter cara de momento exato. E foi então que, numa das suas viagens mirabolantes na sua sala de cinema preferida, que ela começou a entender o calendário. O homem é um ser espertinho e que adora números, mas que tem a terrível mania de querer controlar tudo. Foi daí que nasceu o tic-tac. O espertinho queria que tudo passasse. Que nome devia se dar para o que o relógio não controla? Não sabia o que era. Só sabia que não era esquecimento. Seria a magia do tempo? A magia das coisas que não passam. Era o tempo que não tinha medida e não podia ser contado. Só podia ser sentido. Nem sempre era saudade. Às vezes, era um sentimento doído, que os ponteiros, também se esqueceram de levar. Às vezes aquele sentimento tinha gosto de pé-de-moleque e cheiro de bolo saindo do forno. O tempo que não passa era como filme na sessão da tarde. Quantas reprises? O tempo que não passa era o álbum de fotografia que tem toque. Era a fotografia que saia do papel e dançava valsa ou hip hop. Acendia aquela fogueira no peito. Relógio sem ponteiros. Tic sem tac. Passado repassado. Terra do Nunca. Khorons e Kairós. E quando se vê, já é meio dia. Mas nada era meia vida. Vida revivida, concluiu a menina.

Raquel Ribeiro

RESOLVE


Tem coisa melhor que resolver bem coisa mal resolvida.
Bem resolvida é aquela vontade que morre quando você mata.
E mal resolvida é uma vontade que não te deixa a vontade.
Porque a coisa que mais marca a gente é aquela que nunca aconteceu.
Agora eu não passo vontade, não. Meu talento pra loucura não permite.
Não tem nada mais forte que um tesão reprimido à força. Tesão reprimido é a disciplina dos covardes. Vontade mal resolvida é para os fracos.
Mato minha sede da vontade no gargalo. Porque a única vontade que não é boa de matar é a de viver. 
As outras eu atropelo. E sigo bem resolvida.
Só esperando a próxima pra devorar e engolir.

Fernanda Estellita

VAMOS VOLTAR A SER GENTE



“Fui criado com princípios morais comuns:
Quando eu era pequeno, mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos, eram autoridades dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos ou mais velhos, mais afeto. Inimaginável responder de forma mal educada aos mais velhos, professores ou autoridades… Confiávamos nos adultos porque todos eram pais, mães ou familiares das crianças da nossa rua, do bairro, ou da cidade… Tínhamos medo apenas do escuro, dos sapos, dos filmes de terror… Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo aquilo que perdemos. Por tudo o que meus netos um dia enfrentarão.
Pelo medo no olhar das crianças, dos jovens, dos velhos e dos adultos. Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos. Não levar vantagem em tudo significa ser idiota. Pagar dívidas em dia é ser tonto… Anistia para corruptos e sonegadores… O que aconteceu conosco? Professores maltratados nas salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas janelas e portas. Que valores são esses? Automóveis que valem mais que abraços, filhas querendo uma cirurgia como presente por passar de ano. Celulares nas mochilas de crianças. O que vais querer em troca de um abraço? A diversão vale mais que um diploma. Uma tela gigante vale mais que uma boa conversa. Mais vale uma maquiagem que um sorvete. Mais vale parecer do que ser… Quando foi que tudo desapareceu ou se tornou ridículo?
Quero arrancar as grades da minha janela para poder tocar as flores! Quero me sentar na varanda e dormir com a porta aberta nas noites de verão! Quero a honestidade como motivo de orgulho. Quero a vergonha na cara e a solidariedade. Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olhar olho-no-olho. Quero a esperança, a alegria, a confiança! Quero calar a boca de quem diz: “temos que estar ao nível de…”, ao falar de uma pessoa. Abaixo o “TER”, viva o “SER”. E viva o retorno da verdadeira vida, simples como a chuva, limpa como um céu de primavera, leve como a brisa da manhã!
E definitivamente bela, como cada amanhecer. Quero ter de volta o meu mundo simples e comum. Onde existam amor, solidariedade e fraternidade como bases. Vamos voltar a ser “gente”. Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas. Utopia? Quem sabe?… Precisamos tentar… Quem sabe comecemos a caminhar transmitindo essa mensagem… Nossos filhos merecem e nossos netos certamente nos agradecerão!”.

Arnaldo Jabor

CRÔNICA DA LOUCURA



O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que  cuida do louco : o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou. 

Durante
 
quarenta anos, passei longe deles. Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal. 

O melhor da terapia é
 
chegar antes, alguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco. 

Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. 

Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "
consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos: 

Na última quarta-feira, estávamos:
 
1. Eu
 
2.
 Um crioulinho muito bem vestido, 
3. Um
 senhor de uns cinqüenta anos e 
4.
 
Uma velha gorda. 

Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali,
 
tão cabisbaixos e ensimesmados.

(2) O
 pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime . Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro e não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba "? Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala. Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça . Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina. 

(3)E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdo.Corno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança total, medo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra. Faltava um botão na camisa . Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não.Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles . Tingido. 

(4) Mas a melhor,
 
a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela. Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora?Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensava. Estava na quinta dezena em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse. 

Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista. 

Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera.
 

Ele ri... Ri muito, o meu psicanalista, e diz:
 

- O Ditinho é o nosso office-boy.
 

- O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.
 

- E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.
 

- "E você, não vai ter alta tão cedo..."


Luís Fernando Veríssimo

Imagem: Weheartit

EU MAIOR



Entrevista com Rubem Alves no filme EU MAIOR, que ainda está em fase de produção. m
e
EU MAIOR traz uma reflexão contemporânea sobre autoconhecimento e busca da felicidade, por meio de entrevistas com expoentes de diferentes áreas, incluindo líderes espirituais, intelectuais, artistas e esportistas.  Um filme sobre questões essenciais e universais, numa época de grandes transformações e desafios, que pedem níveis mais altos de discernimento e consciência individual.eiência individual.

Quer saber mais sofre o filme e assistir a outras entrevistas? Clique aqui.

O ANJO MAIS VELHO




"O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"



Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar


SELO II

Olá, pessoal!
E vem ai mais um selinho... Esse ganhei da blogueira Fernanda Lacerda, do ARTE MINHA. Lindo, né?!


Para ganhar o selinho, existem algumas regras:

1 - Dizer o que achou do selinho: Lindo e fofo, além de ser sinal de que o DOCE está crescendo.


2 - Indicar à 10 blogs e avisá-los:












(NÃO É) INVERNO



Saio de casa e encontro o sol. Uma claridade tão forte que mal consigo abrir os olhos. Faz calor. É estranho. Aqui dentro neva e o inverno parece ter se alojado no meu peito. Não quer ir embora. Faz frio. Volto pra casa. Não temos lareira em casa. Ou temos? Temos. Dizem que o inverno é chique. Tudo é muito mais glamoroso que nas  outras vidas do ano. Quando faz frio a alma fica mais glamorosa, entende? Tudo vem daqui e esse é o único lado bom das baixas temperaturas. Para aquecer, me perco na literatura e viajo pelas quatro estações. Agora sinto uma brisa suave, acariciando meu rosto. Tudo começa a ter gosto de chocolate quente. É inverno, mas agora faz frio lá fora. Só lá. Minha alma vive em plena primavera. O inverno foi bem curto. Tão curto quanto esse texto. É primavera. E aqui dentro tudo tem muita cor. Tem gosto bom, tem toque bom, tem cheiro bom. Primavera...

Raquel Ribeiro


Minha amiga de infância, Vanessa Vasconcelos, que tem uma  alma tão contagiante que nos toca, me pediu para escrever sobre o inverno. Logo ela, que é calor, que é cor, entende?! Uma amiga que é primavera, que é verão.  O inverno que nunca é pra você, amiga. O texto é pra você! Metáforas, contradições...