VIDA DE REPÚBLICA





Ano de 2007. Quatro estudantes (duas mulheres e dois homens) se mudam para Belo Horizonte. Três primos de Sete Lagoas. Uma lagopratense que mal conhecia sua companheira de quarto. Uma república mista. Tudo começou por uma questão de necessidade. A lagopratense precisava de lugar para morar e os setelagoanos precisavam  de alguém para morar com eles. Como éramos pessoas civilizadas e nem sabíamos! Sobrevivemos a uma república mista. Isso mesmo! Moramos durante um ano com dois coleguinhas do sexo masculino em um apartamento pequeno e não viramos notícia nos jornais por homicídio triplo qualificado. Acho que nunca vamos entender... Os desentendimentos foram muitos, mas que convivência não tem?!  Se a convivência com sua família não é fácil, imagine juntar quatro pessoas de sexos e personalidades diferentes. Mas esse texto é pra falar da vida na nossa república e das coisas boas que ficaram e que gostamos  de acreditar que não foram poucas! Se você nunca morou em uma república, não sabe como é viver de miojo ou participar de uma competição na qual o prêmio era a louça gigante para lavar que quase criava vida própria. Não sabe como é ter uma crise de saudades e correr para o próximo ônibus que te leva para sua cidade, mesmo que, no outro dia, você tenha prova final na faculdade. Afinal de contas, não tem nada melhor que colo de mãe, não é mesmo?!  Agora, se você já mora “sozinho”  e sabe como é ter uma pseudoindependência, sabe que tem que se virar nos 30! Pois é, papai e mamãe não estão mais perto de você pra te dizer o que fazer ou  passar a mão na sua cabeça quando as coisas não saírem como o esperado. É na república que você aprende a aceitar as diferentes formas de pensar de cada um e que ninguém está isento de defeitos. É um exercício de tolerância mútua diária. Na memória ficou a lembrança da comida congelada da Dona Fátima, dos bolos de limão, dos bifes à milanesa, dos almoços no Mc Donald’s e no Dona Roça, do cinema na terça-feira, da academia do prédio, e até mesmo de fugir pra Betim só pra assistir ao show do César Menotti e Fabiano e se perder no caminho de volta. A república “morreu” em janeiro de 2008. Podemos dizer que, depois de três anos, nos lembramos com saudade daquele apartamento da Guajajaras, porque foi lá que amadurecemos e descobrimos  que a vida não é mole não! E, acima de tudo, porque foi na república que nos tornamos amigas.

Mariana Tanos e Raquel Ribeiro
 

6 comentários:

  1. Relembrando momentos... isso é tão bom!!! Parabéns pelo blog amiga!!!!

    www.fernandalacerdao.blogspot.com

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  2. Engraçado pq no fds tava comentando exatamente sobre morar em república, sozinho(a), enfim, longe das asas dos pais. Todo ser humano deveria passar por uma experiência dessas. Faz bem para a maturidade. Morar longe de casa é uma lição de vida. Aprendemos a conviver com pessoas diferentes, respeitar o espaço do outro, dar valor no dinheiro, administrar uma casa e muitas outras coisas que só vivenciamos no dia a dia. Feliz quem passa por tal experiência antes de casar. Tenho certeza que o relacionamento seria bem mais fácil.

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  3. Mas tem estória pra contar :)
    Beijo.

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  4. Olá Raquel, me encantei por seu blog, muito lindo viu. bjos

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  5. Obrigada meninas! Os comentários são muito importantes para o crescimento do blog. :)

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  6. nossa,o melhor do blog ate agora! que texto mais bem redigido! estou impressionada haha
    mal posso esperar vc voltar pra bh!
    bjo

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